A História da SEGA
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A História da SEGA

Publicado em Games por thaisa alves

SEGANão faz muito tempo que o panorama da chamada “guerra dos consoles” era um pouco diferente do que acontece hoje. Não, não estamos falando o óbvio na tentativa de avisá-lo que os jogos, sim, evoluem. Estamos falando de algo um pouco maior: das representantes envolvidas na batalha.

Depois de uma geração dominada pela Atari — e que no Brasil via apenas um concorrente de peso na época, o Odyssey –, veio a geração chamada de 8 bits. Nela, se estabeleceram não três, mas dois combatentes: a Nintendo, que está aí até hoje com seus aparelhos, e a SEGA, também japonesa, e que abandonou o mercado de consoles algumas gerações depois.

E é dela que falaremos. Dessa empresa que se firmou e se manteve muito tempo disputando o posto de grande fabricante, mas que deixou a batalha após a conquista de mercado da Sony com sua linha PlayStation.

Os primórdios

Em 1940, Marty Bromley criou uma empresa, no Hawaii, para suprir bases militares com máquinas de fliperama. O período era de Segunda Guerra Mundial, guerra do famoso ataque à Pearl Harbor que levou ao bombardeio do Japão, que perdeu a guerra. Doze anos depois, Bromley se mudou para o país devastado, notando uma possibilidade de crescimento e levou a sua companhia Service Games à Terra do Sol Nascente.

David Rosen, também americano, vivia no Japão onde tinha empresa de cabines fotográficas e, posteriormente, acabou investindo em uma companhia de importação das máquinas de fliperama, que se tornaria concorrente da Service Games. Em 1964, Rosen e Bromley juntaram forças e transformaram a sua empresa na SEGA (SErvice GAmes) Enterprises, que dois anos depois começaria a produzir seus próprios jogos, com o lançamento de uma máquina chamada Periscope. O sucesso chegou e a Sega passou a exportar a máquina para os Estados Unidos.

O caminho foi seguido com a ascensão das máquinas de fliperama até que os videogames domésticos surgiram, e foi aí que a Sega começou a ganhar mais força em um novo mercado. Criou o SG-1000, o SC-3000, mas demorou um pouco para ganhar notoriedade…

As duas grandes gerações

Master System Foi aí que surgiu o SG-1000 Mark III, que pouco depois foi rebatizado de Master System. Ou apenas Master, para os garotos da época que viam no aparelho o principal concorrente do Nintendo 8-Bits, chamado lá fora de NES (Nintendo Entertainment System) e por aqui pelo carinhoso nome “Nintendinho” (somos ou não somos um mercado acolhedor?).

Foi no Master System que algumas das principais franquias da SEGA surgiram. Naquela época, existiam fortes desenvolvedoras terceirizadas que preparavam games para as plataformas existentes, mas vinha das mãos das próprias fabricantes de aparelhos (ou seja, da Sega e da Nintendo) alguns dos principais títulos. Foi justamente nessa época que se consagraram Mario Bros, e que a Sega apresentou o adversário Alex Kidd, que brilhou menos, é verdade, mas foi igualmente importante.

Alex Kidd in Miracle WorldO Master System se valia de acessórios muito bacanas para a época. Imagine você que um console lançado em meados de 80 já tinha visto gráficos 3D com auxílio de um óculos, e até tenha passado pelo acessório que dava o turbo no controle para facilitar jogos de luta (quem aqui não foi criança na década de 80 e não lembra da luta insana entre Rocky e Draco no game de boxe inspirado no filme? Só com o Rapid Fire mesmo!)

Os 16 bits chegaram três anos depois e a Sega ganhou força com  o Mega Drive – que, no Japão, foi chamado de Genesis e talvez tenha sido seu principal videogame. Naquela época, o salto dos 8 bits para os 16 bits foi imenso, tanto em gráficos como em qualidade dos jogos. A empresa se destacou com franquias como Sonic ou o visualmente espetacular Ecco the Dolphin. Foi o primeiro videogame com retrocompatibilidade: a partir de um acessório era possível jogar os cartuchos de Master System no Mega Drive! E foi justamente nessa geração que games de luta famosos se fizeram nos videogames, como Street Fighter e Mortal Kombat.

Mega Drive - o console 16 BitA Sega também introduziu o controle de seis botões e o Game Genie, um dispositivo que, quando ligado ao cartucho, permitia digitar códigos para tornar os jogos — que na época eram bem mais difíceis do que hoje — um pouquinho mais simples para as mãos mais inábeis. Outros acessórios revolucionários como o 32X e o Sega CD aumentavam o poder de fogo do aparelho duplicando o processador ou permitindo a exibição de jogos com recursos de vídeo, um marco para a época, que infelizmente foi pouco explorado.

A empresa também foi das pioneiras no mercado de videogames portáteis, com seu Game Gear, que em oposição ao Game Boy, da rival Nintendo, trazia desde o início uma tela colorida e acessórios como um adaptador de fitas de Master System e um adaptador que permitia ao portátil reproduzir o sinal de televisão.

No Brasil, assim como na época do Master System, quem trazia a Sega era a TecToy, e a empresa tinha papel importante, criando jogos como o jogo da Turma da Mônica, isso sem falar na Hot Line. Naquela época, não tínhamos tantas revistas de videogame nem a internet para dar dicas. Mas bastava ligar para esse número que uma central via telefone verificava se existiam dicas disponíveis e auxiliavam o jogador.

O começo do fim…

Os 32 bits chegaram em novembro de 94. E foi aí que o declínio da Sega começou. O Saturn não foi um console muito bem recebido. A Sony, recém chegada com seu poderoso PlayStation e franquias relevantes como o surpreendente Gran Turismo fez sombra nos concorrentes, inclusive no Nintendo 64. O preço elevado e o custo de produção não ajudaram, principalmente quando as concorrentes abaixaram o preço de seus aparelhos e ganharam mais distância.

O console DreamcastMas a pá de cal veio por cima do Dreamcast. A Sega se adiantou mais de um ano na sexta geração de videogames domésticos, com um aparelho realmente revolucionário. O controle tinha um visor (quando acoplado ao memory card, também conhecido como VMU) e uma unidade de memória, o aparelho tinha conexão à internet e permitia jogos online, em uma época em que os jogos onlines ainda não estavam maduros o suficiente. O público, porém, esperou pelo sucessor da Sony, PlayStation 2 e seu promissor catálogo. A Sony conseguiu afastar a Sega do mercado e fazer sombra mais uma vez à Nintendo e ao seu GameCube. Esse panorama não mudaria nem com a entrada do primeiro Xbox, pelas mãos da Microsoft.

A Sega, então, fez o que parecia inevitável e saiu do mercado de consoles. Só que a empresa ainda tinha prestígio em duas frentes muito importante para os games: a criação de softwares e um domínio importante no setor de fliperamas, ao lado de outros nomes como a Neo Geo.

E foi aí que a empresa se reinventou, participando das novas gerações com o que sabe fazer de melhor, os seus jogos marcantes que até hoje podem ser encontrados no Xbox 360, no PlayStation 3 e no Nintendo Wii (e Wii U). E você? Viveu a era de ouro da Sega? Qual o seu jogo preferido da empresa?

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